A Contabilidade está passando por uma transformação importante.
Com a chegada do CPC 51, alinhado à IFRS 18, a Demonstração do Resultado (DRE) ganha uma nova estrutura, dividida em categorias, com novos subtotais e maior transparência na divulgação do desempenho empresarial.
Com aplicação obrigatória para as companhias abertas a partir de 2027, o momento de compreender os impactos e se preparar é agora!
E você, já sabe as mudanças advindas do CPC 51?
O CPC 51 – Apresentação e Divulgação nas Demonstrações Contábeis, em consonância com a IFRS 18, traz mudanças importantes na forma como as empresas apresentam seus resultados. O objetivo é proporcionar informações mais transparentes, organizadas e comparáveis, facilitando a análise do desempenho econômico-financeiro pelos usuários das demonstrações contábeis.
Mas, afinal, o que muda na prática?
1. Nova classificação das receitas e despesas
Uma das principais novidades é a classificação das receitas e despesas da DRE em cinco categorias:
I – Operacional: reúne as receitas e despesas de fato relacionadas à categoria operacional, incluindo aquelas que não se enquadram nas demais categorias.
II – Investimento: compreende receitas e despesas provenientes de investimentos em coligadas, empreendimentos controlados em conjunto e controladas não consolidadas, caixa e equivalentes de caixa e outros ativos que geram retornos de forma individual e, em grande parte, independente dos demais recursos da entidade. Inclui os resultados desses ativos, os efeitos de sua mensuração e os custos diretamente relacionados à aquisição e alienação. A classificação pode variar conforme a atividade principal da entidade, sendo determinados resultados classificados na categoria operacional, conforme as exceções previstas na norma.
III – Financiamento: abrange receitas e despesas relacionadas a passivos decorrentes de operações de financiamento, incluindo efeitos de mensuração, juros e custos diretamente atribuíveis à emissão e extinção desses passivos. Para outros passivos, inclui determinados efeitos de juros identificados conforme as normas contábeis. A classificação pode variar conforme a natureza da operação e a atividade principal da entidade, especialmente quando a concessão de financiamento a clientes constitui sua atividade principal, situação em que determinados resultados são classificados na categoria operacional.
IV – Tributos sobre o lucro: compreende os efeitos tributários sobre o resultado.
V – Operações descontinuadas: apresenta os resultados das operações classificadas como descontinuadas.
Essa organização busca facilitar a compreensão da origem dos resultados e permitir uma análise mais consistente do desempenho empresarial.
2. Subtotais na DRE
A DRE deve apresentar os seguintes subtotais e totais:
I – Lucro ou prejuízo operacional;
II – Lucro ou prejuízo antes de financiamento e tributos sobre o lucro;
III – Lucro ou Prejuízo Líquido.
Esses subtotais permitem identificar com maior clareza diferentes componentes do resultado, contribuindo para a comparabilidade das demonstrações contábeis.
3. Maior transparência dos indicadores de desempenho
O CPC 51 também estabelece requisitos de divulgação para determinadas medidas de desempenho definidas pela administração, conhecidas como Management-defined performance measures (MPMs).
Quando esses indicadores atendem à definição prevista na norma, a empresa deve apresentar informações adicionais em notas explicativas, incluindo reconciliações com os resultados definidos pelas normas contábeis.
A intenção é permitir que investidores e demais usuários compreendam melhor os indicadores utilizados pela administração para comunicar o desempenho empresarial.
4. Informações mais detalhadas nas demonstrações contábeis
O novo pronunciamento também reforça os critérios de agregação e desagregação das informações.
Na prática, isso significa que as empresas deverão avaliar como apresentam e detalham suas receitas, despesas e demais elementos contábeis, evitando agrupamentos que possam prejudicar a compreensão das informações relevantes.
5. Como as empresas devem se preparar?
A implementação do CPC 51 poderá exigir adaptações nos processos contábeis e gerenciais das organizações.
Entre os principais pontos de atenção estão:
– Revisão do plano de contas e da classificação de receitas e despesas;
– Avaliação da necessidade de adequação dos sistemas contábeis;
– Revisão dos indicadores de desempenho utilizados pela administração;
– Preparação das informações comparativas;
– Capacitação dos profissionais envolvidos na elaboração das demonstrações contábeis.
O que esperar dessa transformação?
O CPC 51 representa um avanço na padronização da apresentação das demonstrações contábeis, com potencial para melhorar a transparência e a comparabilidade das informações financeiras.
Mais do que uma alteração na estrutura da DRE, o novo pronunciamento exige que as empresas revisitem a maneira como organizam e comunicam seus resultados.
E a sua empresa, já começou a se preparar para as mudanças do CPC 51?
Acompanhar as atualizações normativas e compreender seus impactos é fundamental para uma transição planejada e alinhada às novas exigências contábeis.
Referências:
COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS (CPC). CPC 51 – Apresentação e Divulgação nas Demonstrações Contábeis. Disponível em: Pronunciamento.
IFRS FOUNDATION. IFRS 18 – Presentation and Disclosure in Financial Statements. 2024. Disponível em: IFRS – IFRS 18 Presentation and Disclosure in Financial Statements.
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (CVM). Resolução CVM nº 237, de 24 de dezembro de 2025. Disponível em: resol237.docx.